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As amostras da cachaça engarrafada são lacradas, rotuladas com os dados do produto e levadas para análises laboratoriais, como parte do processo de certificação feito pelo INT.
Acreditado pelo Inmetro para fazer a certificação voluntária de cachaça, no final do ano passado, o Instituto Nacional de Tecnologia (INT/MCT) passa a oferecer às empresas do ramo uma possibilidade de assegurar ao mercado a melhor qualidade do produto e do processo produtivo. A primeira cachaça certificada foi a Menina do Rio, tipo ouro e prata, produzida pelo alambique São Fulgêncio, localizado em Sapucaia, no estado do Rio de Janeiro.
O processo de certificação é iniciado com a análise da documentação da empresa solicitante, e tem seqüência com uma auditoria completa no alambique. Todas as etapas do processo produtivo são acompanhadas, desde o plantio até a estocagem do produto final. Este acompanhamento torna a cachaça rastreável, como já acontece com outras bebidas destinadas a mercados consumidores cada vez mais exigentes e conscientes. Coletadas amostras, o produto também é submetido à análise química, que assegura que sua composição está dentro dos limites estabelecidos pela regulamentação vigente.
O controle da produção contribui para manter o patamar de qualidade, e muitas vezes pode trazer ganhos de produtividade. A avaliação da conformidade da cachaça é regulamentada pela portaria 276 do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro), que visa aprimorar essa cadeia produtiva, promovendo a sustentabilidade do produto e sua melhor inserção no mercado internacional.
Além desta certificação voluntária, o INT, na qualidade de Organismo Certificador de Produtos (OCP 023), realiza a certificação compulsória de produtos como preservativos masculinos, fósforos de segurança, capacete para motociclistas, embalagem de álcool etilico, luvas cirúrgicas e luvas para procedimentos não cirúrgicos.
Requisitos de Qualidade
Ao ser contratada para avaliar a conformidade da cachaça, a equipe do Organismo Certificador de Produtos do INT, organiza uma auditoria onde são verificados cada um dos requisitos estabelecidos pela portaria 276 do Inmetro.
Em relação ao cultivo da cana-de-açúcar, são examinados detalhes como o controle do uso de defensivos agrícolas e fertilizantes, o controle da maturação e o tempo de colheita, tanto para as plantações realizadas pelo próprio produtor como no caso de matéria prima adquirida.
A auditoria também verifica questões relativas à responsabilidade social, como a regularização da mão de obra e a ausência de trabalho escravo ou infantil, e ao meio ambiente, como o descarte de subprodutos (bagaço, vinhoto, águas residuais, etc), a existência de licença ambiental atualizada e o registro no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
Em seguida, é analisada a etapa de moagem, verificando-se as áreas de estocagem da cana, o local da moenda, a ausência de animais na área de produção, o tratamento do caldo, a manutenção do equipamento, a saúde e segurança do trabalhador e a correção do mosto, que é o caldo em fermentação. Também são avaliados todos os parâmetros de higiene e adequação da sala de fermentação, das grandes vasilhas (dornas) onde fica armazenado o mosto, além do material e condições de destilação, e o teor alcoólico e acidez da cachaça.
Por fim são verificadas as condições de armazenamento, envelhecimento, envasamento, a embalagem do produto e sua estocagem.
O produto final deve ser submetido ao controle de produção do próprio fabricante, mas também é checado a partir de amostras coletadas durante a auditoria. Os ensaios, feitos segundo o Regulamento de Avaliação da Conformidade, estabelecido pelo Mapa, analisam o grau alcoólico, os níveis de cobre, a acidez, a quantidade de açúcares, a presença de chumbo, arsênio, entre outras substâncias.
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