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Diretor-geral do CNPEM revela potencial da nova fonte de luz síncroton brasileira

Publicado: Quinta, 13 de Fevereiro de 2020, 15h16
IDÉIAS & TENDÊNCIAS | O Prof. José Roque mostra ao público do INT as primeiras imagens produzidas pelos raios X do Sirius. (Foto: Vinícius Kabarite/INT)
IDÉIAS & TENDÊNCIAS | O Prof. José Roque mostra ao público do INT as primeiras imagens produzidas pelos raios X do Sirius. (Foto: Vinícius Kabarite/INT)

O diretor-geral do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), Antonio José Roque da Silva, apresentou nesta quarta-feira (12), a convite da Direção do Instituto Nacional de Tecnologia (INT), a palestra "O CNPEM e a nova Fonte de Luz Síncroton Brasileira, Sirius". A apresentação inaugurou a edição de 2020 do ciclo Ideias & Tendências, destinado a promover o contato do corpo técnico e de colaboradores do INT com importantes iniciativas e reflexões relacionadas a Ciência, Tecnologia e Inovação.

Lotando o auditório do INT, o púbico teve oportunidade de conhecer novas possibilidades para a pesquisa e parte do histórico da construção deste laboratório de 4ª geração de luz síncrotron, que colocou o Brasil no topo dessa tecnologia de aceleração de elétrons, capaz de permitir análises detalhadas de materiais orgânicos e inorgânicos em escalas nanométricas.

Na abertura da palestra, o diretor do INT, Fernando Rizzo relatou sua admiração pelo Projeto Sirius, que viabilizou a construção do acelerador. Ressaltou que se trata do resultado de um planejamento realizado desde muitos anos antes, cuja execução incluiu a superação de sucessivos períodos de cortes orçamentários.

Professor titular do Instituto de Física da USP, com graduação e mestrado pela Unicamp, e pós-doutorado pela Universidade da Califórnia em Berkeley, José Roque, assumiu em 2009 a direção Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), em Campinas (SP), onde já conduzia o projeto de construção do Sirius.  Em julho de 2018, passou à direção-geral do CNPEM – que engloba o LNLS e também os Laboratórios Nacionais de Biociências (LNBio), Nanotecnologia (LNNano) e Ciência e Tecnologia do Bioetanos (CTBE) –,  inaugurando, em novembro do mesmo ano, dois dos três aceleradores de elétrons ligados à nova fonte de luz síncroton.

Desde dezembro de 2019, o Sirius já produz suas primeiras imagens, incluindo visões tridimensionais e tomográficas. Nesta etapa recente, já foi possível demonstrar o sistema por completo, desde a geração dos elétrons, sua aceleração através de três aceleradores, a manutenção de órbitas estáveis e a incidência na amostra do raio X, capturado e processado para geração da final da imagem.  

Entre as primeiras imagens reveladas, estão a estrutura de um coração, com a demonstração da organização de suas células. “Esta possibilidade pode vir a ser fundamental para suporte a cirurgias de reparação de áreas comprometidas do coração, geralmente inviabilizada pela conformação das células, que se organizam todas em um mesmo sentido” – observou José Roque.

Outros testes produziram as imagens tomográficas de uma rocha do pré-sal, revelando toda a sua estrutura e poros, e da composição de uma bateria de lítio, revelando suas alterações químicas no processo de carga e descarga.

O diretor do CNPEM relatou a grande procura de pesquisadores, inclusive de vários grupos internacionais, pelos recursos da nova fonte de luz síncrotron, reconhecida com a mais brilhante da atualidade. Entre os destaques da apresentação, o fato de 85% da tecnologia utilizada no equipamento ter sido produzida por brasileiros e desenvolvida dentro do próprio centro de pesquisas.

Na conclusão de sua fala, o físico José Roque destacou a importância crescente que o Sírius poderá ter para a pesquisa do País, principalmente a partir das pesquisas de ponta que venham a ser implementadas por seus usuários.

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